Como se iniciou o AECCP
Combustíveis – Como as formigas podem atacar os elefantes!!!!
Homens errantes deambulam pelo deserto, numa luta constante e desenfreada entre a vida e a morte, confrontando-se entre si apenas por algumas gotas de “suco” (leia-se gasolina), elemento vital para a locomoção dos seus veículos ou para simples produção de energia. Este é o cenário apocalíptico do celebrizado filme dos anos 80, intitulado Mad Max – As motas da morte.
Por enquanto, esta imagem atemorizante do futuro não passa da simples ficção, mas há medida que avançamos no tempo, o mais precioso combustível não renovável vai desaparecendo, acompanhado por uma desenfreada subida de preço.
Actualmente, já não será tão difícil imaginar uma imagem desta natureza num futuro próximo.
Enquanto, há bem poucos anos atrás, se falava na mítica barreira dos 100 dólares por barril de petróleo como uma quimera, nos dias que correm é já um valor adquirido, enquanto os analistas de mercado apontam para os assustadores 200 dólares, num futuro não tão longínquo como poderemos pensar.
No entanto, a valorização do euro face ao dólar tem mitigado a subida do preço do crude. Contudo, tal situação não se repercute no preço do consumidor europeu, sobretudo em Portugal. Isto porque o aumento em dólares é o bastante para as gasolineiras subirem os preços dos combustíveis nos postos, numa onda de pura especulação.
Para cúmulo, quase numa manifestação de escárnio perante o consumidor, as principais companhias multinacionais de combustíveis apregoam largas dezenas de milhões de euros de lucro, como aconteceu no primeiro trimestre de 2008. Tudo isto, tendo já em consideração os seus investimentos avultados na pesquisa e aquisição de novos pontos de extracção de crude, o que atesta bem os valores inimagináveis que entram nos cofres destas mega-empresas.
Enquanto isto, que tem feito o Governo Português neste últimos anos? - Perguntar-se-á o caro leitor… Permita-nos a resposta: O Estado liberalizou o mercado dos combustíveis (dando ainda mais margem de manobra às respectivas entidades), continuou a aplicar um IVA e ISP elevados e, só muito recentemente, depois de ter deixado chegar o mercado a uma situação calamitosa e numa atitude claramente populista, se preocupou em solicitar a intervenção da Autoridade da Concorrência para analisar a formação do preço dos combustíveis.
Perante tal inoperância por parte de quem devia ter alguma responsabilidade, assistimos a um crescer e proliferar de manifestações de descontentamento (como se de cogumelos se tratassem…), um pouco por todo o país.
Ficamos ainda escandalizados com as noticias que nos chegam dos média. Casos como o das corporações de bombeiros de Viana do Castelo, que fazem fronteira com Galiza, que abastecem na vizinha Espanha para minimizar os gastos com combustível, são absolutamente escandalosos e revoltantes. A própria corporação de Valença chegou a admitir ter poupado 1500 euros em combustível, no ano de 2007, com a ida aos postos espanhóis! Isto é quase um paradoxo, tendo em conta que instituições pertencentes ao Estado Português, acabam por encher os bolsos ao Governo Espanhol…
A actual conjuntura afecta milhões de trabalhadores de todas as classes sociais que dependem dos transportes (sejam privados ou colectivos), retira competitividade às empresas (que por sua vez num efeito “bola de neve” provoca desemprego), já por não falar no encarecimento dos alimentos.